Literatura Opiniões Literárias

Ganhei Uma Vida Quando Te Perdi de Raul Minh’Alma

Janeiro 31, 2020

Por norma, evito trazer livros que não me acrescentem nada ao blogue. Trago todo o género de livros, inclusive aqueles que não gostei lá muito. Mas, há livros que sinto que não fazem falta por cá, pelo menos numa opinião mais extensa e por isso mesmo, limito-me a escrever uma simples opinião pelo GoodReads. Este livro não me trouxe nada de novo, contudo faço questão de trazer a minha opinião dele cá para o blogue. E sim, eu realmente fiquei deveras desiludida com Ganhei Uma Vida Quando Te Perdi de Raul Minh’Alma.

Começo por onde? Eu realmente sei que vou ser de certo modo crucificada por esta opinião, nem imagino a quantidade de leitores que vão cair-me em cima depois desta opinião. Mas, não podemos gostar todos do mesmo. Vou começar mesmo por falar desta escrita, mas que escrita é esta? Relembrem-me só ao certo quantos livros tem este autor nomeado de bestsellers já publicados? Mais uma prova de que quantidade não significa qualidade bem como o número de vendas não significa qualidade. Acho engraçado que logo nos primeiros capítulos quando iniciei a leitura achei que reconhecia este tipo de escrita. Realmente reconheci, utilizava esta mesma escrita quando tinha cerca de 13 anos, uma escrita mais pobre e sem magia. Na minha opinião, não é de todo o tipo de escrita ideal para um romance, muito menos para um escritor bestseller. Uma coisa é escrever textos românticos, outra completamente diferente é escrever um romance.

A Noite Em Que O Verão Acabou de João Tordo

Visto que é um romance onde o tema principal foca-se em esquecer alguém, pensei que haveria mais momentos de desespero e dor. Encontrámos apenas uma miúda que ao início do livro parece ter menos de 20 anos, uma criança. Mas assim que esquece o seu amour torna-se quase uma velha de 80 anos. Honestamente não me deu para entender se seria mesmo uma adolescente, ou uma pessoa mais velha como personagem, sei apenas porque o escritor o disse. Nestas alturas, é quando digo que devemos dar uso à técnica de show, don’t tell. É muito importante que as atitudes, bem como a sua forma de falar e interagir façam sentido para com a sua idade.

Sei que há pessoas a considerar isto um young adult, digo-vos que em nada isto é um young adult. As restantes personagens são tão vazias, aparecem na história e não fazem com que ela se mova, apenas o Sr. Artur ou até mesmo o Rodrigo certas vezes. Sem falar na quantidade de factos que nos são apresentados e que não acrescentam nada, seja para a personagem principal ou para o desenrolar da história.

Raparigas Como Nós de Helena Magalhães

Ganhei Uma Vida Quando Te Perdi tornou-se o meu ganhei mais uma desilusão quando te li. Porém, sou daquelas pessoas que diz que devemos ler até os maus livros para aprendermos alguma coisa com eles, nem que seja aprender o que não devemos fazer ou escrever. É que não se tratou apenas da escrita a precisar de ser melhorada, das personagens sem personalidade, foram também os enormes parágrafos de narração que facilmente se retirava um terço do texto e não fazia falta alguma. Sem esquecer que as descrições do autor são tudo menos convincentes, algo que realmente precisa ser trabalhado. De facto, o enredo tinha tudo para dar uma boa história, mas logo nas primeiras páginas o escritor mete os pés pelas mãos.

Se era suposto ser um romance, daqueles que nos ensinam alguma coisa de importante, o escritor podia começar por não dar lições de vida e ensinamentos a cada parágrafo. Torna-se a certo momento muito forçado, parece que ele pretende à força passar não uma só mensagem com o livro, mas imensas. E, afinal, qual a mensagem do livro? Temos aqui tantos temas e sinceramente nenhum foi abordado como deveria ser, desde perda, divórcio, bullying, desilusões, enfrentar medos… Tanto que o escritor queria ensinar, que acabou por não ensinar nada. Não forcemos isto, não é necessário oferecer frases bonitas e que os leitores vão colocar nas redes sociais como indiretas ou frases de motivação a cada página.

Fénix de Tânia Dias

Sinceramente, não sou escritora apesar de escrever, mas sou leitora e sei perfeitamente que há livros que não merecem o nosso tempo. Não tenho como vos recomendar este livro, na minha opinião eu não gostei dele. Mas, cada caso é um caso, e por isso, deixo a decisão de o ler nas vossas mãos. Verdade seja dita, há livros melhores que este, livros esses que vos farão pensar na vida e vibrar realmente com a história. Este tipo de livro vende fácil, isso não há dúvida, mas e a qualidade? A única coisa que gostei foi do final, porque acabou. E não, não achei o finalmente imprevisível, já o esperava.

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