Literatura Opiniões Literárias

A Noite Em Que O Verão Acabou de João Tordo

Janeiro 15, 2020

Acho que não tem muito tempo que comentei nas redes sociais que sentia falta de mais livros do género literário de thriller em Portugal. Surpresa das surpresas: João Tordo publica uma história de thriller poucos meses depois. Julgo que alguém anda a investigar-me. Ainda que pouco ou nada li das obras do escritor, com muita pena minha, mas pretendo ler em breve. Para além da obra O Bom Inverno, mais nada li. Se por um lado tenho quase a certeza de que será um escritor que muitos dos seus livros serão favoritos, também sinto um certo receio, é um misto de emoções.

Assim que entrou na pré-venda o livro A Noite Em Que o Verão Acabou tive de ir a correr comprar o livro. Faço-o com muitos livros de autores portugueses. Quando se trata de literatura portuguesa não gosto de pedir a parcerias que me cedam o livro, um ou outro caso às vezes acaba por acontecer, mas se depender de mim não será assim. Porquê? Perguntam vocês. Pois, saibam que ao comprar o livro de autores portugueses estão a contribuir para o trabalho deles, portanto, vamos apoiar o que é nosso. Para além de que, caso comprem o livro na pré-venda, mais depressa chega aos tops nacionais (se bem que vemos quase sempre os mesmos no top). Novamente, vamos apoiar o que é nosso.

O Bom Inverno de João Tordo

Apesar de eu gostar imenso de ler thrillers, também tenho muito medo de os ler. É um género que abunda na minha estante, muitos deles são favoritos para a vida, enquanto outros ficaram muito aquém das expectativas. Ora, eis o meu maior receio sempre que começo um novo livro desse género: será que vale a pena? Quando li a sinopse do novo livro do João Tordo fiquei logo intrigada, senti que podia sair daqui uma boa história. Mas, apareceu aquele monstro ao ouvido a dizer-me que talvez podia não ser o que eu estava à espera. Surpreendi-me? Porra, realmente surpreendi-me mais do que estava à espera. Superou todas as minhas expectativas.

Antes de tudo, e preciso mesmo de destacar isto antes de falar do livro: que escrita deliciosa. Já quando li O Bom Inverno do mesmo autor derreti-me com a escrita. A última vez que senti-me tão feliz e entusiasmada com a escrita de um escritor foi a ler o meu primeiro livro de Stephen King. E, já que estamos a falar do meu escritor preferido, vamos só fingir que o escritor não fez a uma referência ao livro Misery de Stephen King, que por pura coincidência acabou por ser outro livro que andava a ler de momento. Naquele preciso momento eu derreti-me, fiquei mesmo apaixonada. Um livro com tão boas referências, nota-se que o escritor andou a ler thrillers de qualidade.

«Porque é que escreve, então? Se lhe traz tanto sofrimento…»
«Porque não conheço outra maneira de me salvar», respondeu. «É isto ou o suicídio.»

Começo por falar de Pedro, talvez a minha personagem literária preferida dos últimos tempos. Identifiquei-me imenso com Taborda, talvez mais do que devia. Senti uma ligação intensa com ele, desde a forma de pensar a dificuldades pelas quais ele passava. Um jovem que ambiciona ser escritor, ora bem, onde já ouvi isto? Admito que senti que o livro estava a falar para mim, parecia até que estava a dar-me conselhos. A sua história e os dilemas pelos quais passa servem de exemplo, para nós jovens que sonham em escrever um livro e não sabem como. É um dilema, como vos entendo.

Surpreendi-me imenso com Laura Walsh, durante vários capítulos ganhei um certo ódio por ela. Demorei por criar um laço de amizade com ela, pelo simples facto de que ela fazia a minha personagem principal sentir-se tão mal. Contudo, não deixo de destacar a importância de tudo o que ela fez Pedro passar, se assim não fosse ele não seria capaz de passar por tudo o que passou. Taborda, ela não te merece. Disse-lhe isto tantas vezes, mas acham que ele ouviu? Digam-me lá, alguém esquece o primeiro romance? Logo vi.

Era seguramente melhor do que aquilo – fingir que era um escritor que não era; que tinha um talento que não tinha; que me interessava perdidamente por literatura quando, na verdade, quase só li romances policias e Laura ocupava todo o meu espaço mental.

O enredo foi surpreendente. Não posso dizer que em certo modo não tivesse suspeitado do final, tive as minhas desconfianças e acertei em algumas. Todavia, não é o final inesperado que torna um livro incrível, não só disso vive um grande thriller. Não esqueçamos todo o mistério, assim como os detalhes que precisámos de dar ao leitor (não em muitas quantidades, gradualmente) para que ele próprio vá criando as suas teorias e desvendando o mistério com as personagens. Sem esquecer a escrita que não pode ser muito leve, nem muito dramática. Um thriller tem de parecer real, temos de levar o leitor a sentir na pele, a querer entrar no livro e proteger as personagens.

Se acham que escrever um livro deste género é simples, estão bem enganados. Sendo eu uma leitora ávida deste género, acreditem que existem inúmeros livros que são vazios de mistério, logo na primeira página sei o que vai acontecer. Mas, com A Noite Em Que o Verão Terminou eu senti que a cada página surgia mais um mistério, uma novidade qualquer e isso fazia com que sentisse imensa vontade em ler o livro num abrir e fechar de olhos. Se bem que assim que terminei o livro arrependi-me de o ter lido tão rápido, gostava que a história tivesse mais uns bons capítulos.

« (…) Foi ele que me ensinou que a literatura não é o princípio, mas o fim; aquilo que só se alcança quando já estamos praticamente mortos, e as palavras são a única coisa que ainda nos liga à vida, o fio invísivel que nos mantém à superfície.»

Sou vos sincera, e mais sincera que isto é impossível: João Tordo conseguiu superar todas e quaisquer expectativas que eu tinha para este livro. A forma como pegou em mim e disse-me que este livro seria o melhor do ano, foi incrível. O ano mal começou, estamos no início e este livro já me marcou por completo. Pergunto-vos: que livro ler depois de uma leitura tão surpreendente? Verdade, ninguém sabe. Por momentos senti-me uma leitora perdida, sem qualquer rumo. Não posso acabar esta opinião sem falar da personagem com maior importância do livro: Gary List, que porra de personagem. Preciso de alguém assim na minha vida, preciso de um mentor destes.

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