Literatura Opiniões Literárias

Bons Sonhos, Meu Amor de Dorothy Koomson

Novembro 1, 2019

Admiro imenso a Dorothy Koomson, adoro a sua escrita e a forma como transmite as suas histórias aos leitores. Quando descobri esta autora eu li imensos livros de seguida, entretanto parei e agora ando a ler apenas um livro dela por ano. Quero ler todos os livros da autora, quero realmente ler tudo o que a autora publicar, e sei que são poucos os livros dela que me vão desiludir. Até agora, aquele que me encheu menos as medidas foi o mais conhecido da autora – A Filha da Minha Melhor Amiga. Depois desse eu baixei um pouco as expectativas quanto à autora, mas sempre com a esperança de encontrar mais algum favorito.

Dorothy Koomson neste livro conseguiu trazer aquilo a que habituou os seus fãs: romance e drama. Ficámos fascinados pelos enredos viciantes e personagens pelas quais criámos uma certa empatia. A forma como a autora desperta as emoções dos leitores talvez seja o ponto alto dos seus livros. Sentimos aquela necessidade de confortar as personagens, de estar lá para ser o ombro amigo. Sempre que entramos numa história nova da autora, temos noção que não será fácil, vamos chorar quase de certeza. Cada livro que leio da autora surpreendo-me um pouco, ela realmente tem um talento inacreditável. Pousar um livro da Dorothy Koomson é tarefa complicada, basta ler o primeiro capítulo e quando nos apercebemos já terminámos de ler. Voámos pelos seus livros, ficámos presos nas suas histórias e acabámos de ler a sentir que queremos mais. Uma das melhores autoras de romances dramáticos.

Bons Sonhos, Meu Amor foi aquele livro da autora que tive de pegar e largar pelo menos duas vezes. Não foi que não estivesse a gostar, pelo contrário, eu estava a gostar, mas havia ali certos aspetos que estavam a estragar a minha experiência de leitura. A mudança de pontos de vista sem a indicação de quem estaria a narrar, foi talvez o que mais complicou a minha leitura. Verdade seja dita que nos livros mais recentes da autora isso melhorou, e ainda bem. Eu nem sempre lido bem com as mudanças de narrador, principalmente quando não estão devidamente identificadas. A Dorothy Koomson tem realmente muito talento para contar histórias, é uma contadora de histórias incríveis. O enredo é muito complicado e pesado, não é daquelas temas fáceis de lidar. Dei por mim diversas vezes com lágrimas nos olhos, é doloroso e daquelas histórias que nos deixam um caco.

O final do livro conseguiu encher-me as medidas, foi aquilo que eu pensava que seria. Custou um bocadinho, admito que chorei. As personagens são muito reais, imaginei esta história a acontecer e vivi com eles tudo. Sofri com as personagens. Uma história que não fala só do papel da maternidade, também da amizade, o papel da amizade e como tudo pode influenciar e estragar uma amizade. As voltas que a vida dá, ao ponto que uma amizade de infância pode chegar. Fiquei triste por ser abordado o tema de traição, é sempre daqueles temas nos livros que nunca me deixam satisfeita. Não admiro quem o faz, e sim, é bom ser falado nos livros, é um tema importante, mas custa imenso quando o outro lado não merece essa traição. Para além disso aborda imensas doenças, como a bipolaridade e como pode afetar as pessoas à nossa volta, a hemofilia, num estado bastante avançado.

É um livro da autora que não merece as quatro estrelas, nem as cinco. Sei que a autora tem livros muito melhores que este, que me surpreenderam mais. Este tocou-me nas emoções, mas nem sempre eu vibrava com a história. Existiram diversos momentos em que eu ficava aborrecida, parecia que era demasiado longas e sem sentido. Faltou ali qualquer coisa na história para agarrar-me por completo. A escrita é incrível, as personagens algo de impressionante, mas a história deixou-se arrastar muito e ao longo da leitura foi perdendo a sua essência.

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