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Não Vos Digo, Nem Vos Conto

Outubro 21, 2019

Após um longo mês a ter crises constantes de ressacas literárias, dei por mim a passar novamente pela fase de comprar livros. Este ano andava bem controlada ao nível de compras, só comprava mesmo se eu precisasse do livro para ler na hora ou se tivesse com um belo de um desconto. Foram poucas as promoções da Wook dos 20% que eu aproveitei, e acreditem que foi difícil de resistir. Mas, veio Setembro e com ele chegou a desgraça. Digo-vos, desde que comecei a ler mais em inglês que tem sido uma desgraça completa. Tenho optado por ler livros em inglês que sei não chegarão às nossas livrarias num futuro breve, apesar de tudo, sou a favor de apoiar o que é nosso. Não vou ser hipócrita e dizer que não compro livros em inglês que já foram publicados cá em Portugal, isso não, mas muitas das vezes acabo por escolher edições estrangeiras por pura estética. Sou dessas que julga um livro pela capa, e qual mal?

Após chegar mais de mil encomendas (bem, na verdade foram só 8 livros que comprei), dei por mim a voltar a ter aquela vontade para ler. O que fiz eu? Peguei em todos os livros que eu tinha para ler e fitei-os até encontrar o livro certo para ler. Lá consegui ultrapassar as crises da ressaca literária, dei por mim a ler thrillers até dizer chega, avancei nas leituras que nem uma maravilha. Contudo, li demasiados livros bons e acabei com aquele sentimento de “que raio leio depois de um livro tão bom?” Bem, mais uma crise. Novamente, dei por mim sentada a olhar para os livros que estavam na tbr, são cerca de 60 livros. Agora vejo pessoas a gritar de horror e outras a pensar “porra, tenho bem mais”. Em minha defesa, posso dizer que estes 60 livros são bem poucos. A minha estante está recheada de no mínimo 500 títulos, isto quer dizer que apenas 12% da minha biblioteca privada está por ler. Quando fiz as contas suspirei de alívio, não é um número assim tão mau.

Perguntam vocês: para quê isto tudo? Para vos dizer que eu apesar de ter um número de leituras que de ano para ano vem a aumentar, também tenho dias, semanas ou meses que não me apetece ler. Também sofro daquele monstro a que chamamos de ressaca literária, e que por mais que eu fale de livros e que goste de ler, temos de sair da rotina. Fiquei frustrada por não conseguir pegar em nenhum livro, todos os livros pareciam-me maus. O que era bem mentira, eu simplesmente estava desmotivada para as leituras e tudo parecia ser mau. Resolvi o problema da melhor forma possível. Não, não foi a comprar mais livros. Sabemos bem que essa primeira tentativa só serviu para desgraçar a minha carteira. Então, eu dediquei-me a algo diferente. Deixei os livros de lado, arrumei-os fora do meu alcance de vista (como se conseguisse esconder estas estantes enormes, ?) e com toda a dedicação procurei um novo hobbie.

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Foi aqui que surgiu um novo amor, não é assim tão novo, mas voltou a surgir aquela necessidade de escrever. Nestes últimos anos apenas escrevia no blogue e alguns textos soltos, nunca mais tinha pegado numa história. Sempre que tentava escrever alguma coisa, ficava com um bloqueio enorme. Dei por mim a desistir da escrita, a pensar que não seria mais para mim. A miúda de doze/treze anos que passava horas a fio em frente do computador a escrever, que em vez de prestar atenção às aulas ficava a planear histórias, estava de certa forma desiludida comigo mesma. Foi assim, que um monstro que pensava estar adormecido acordou. Os livros levaram-me por um caminho que eu não estava à espera, não estava de todo a fim de ler, mas mostraram-me que posso estar ligada a eles de outra maneira: a escrever. Passei algumas semanas a escrever, com que fim? Apenas escrevia. Precisava de estar conectada a algo, a escrita foi o meio. Resultou, consegui voltar a sentir-me eu mesma. A vontade para ler voltou, apesar de ter de ser gradualmente para voltar ao ritmo e sem pressões, e descobri que afinal ainda posso dar asas à imaginação.

Ando a escrever, mas nem qualquer fim. Apenas escrevo para tirar da alma para o papel. Não pretendo publicar, não estou segura a esse ponto. Apenas escrevo. É aquela necessidade de ter algo mais para fazer, de conseguir passar todas as ideias que eu tenho na cabeça. Agora, surgiu mais algumas ideias. Não estão ligadas diretamente à escrita, contudo estão ligadas aos livros. Gradualmente estou a tentar voltar ao instagram, está a ser uma tarefa complicada, a plataforma já não é o que era. O blogue eu pretendo manter, claro, mas haverá mudanças. Tenho estado a publicar quase todos os dias, quero manter esse horário. Eu gosto de ter conteúdo regular, e como leio imenso acabo por ter sempre opiniões literárias para partilhar com vocês, só que darei a mim mesma alguns dias para descansar. Não escrevo ao fim de semana para o blogue, mas trabalho. Por isso, pelo menos um dia da semana por mês quero tirar para descansar, para ser eu mesma no meio de histórias. Sou uma pessoa criativa e preciso de um dia para tirar para fora toda esta criatividade.

Não há mal nenhum em não sentir vontade de ler. Temos momentos assim, é completamente normal ficarmos até cansados de fazer o que gostamos. Procurem outra coisa para fazer. Deixem de lado os livros e foquem-se em algo diferente. Deixem a vossa mente relaxar, depois voltarão a sentir saudades da leitura e quando voltarem a ler, vai ser como a primeira vez.

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