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Enfrentar os Medos ou Fugir Deles?

Outubro 31, 2019

Durante algumas semanas tenho dado por mim a pesar prioridades. Tenho tirado da minha vida aquilo que já não me acrescenta nada, tenho abandonado alguns projetos e acima de tudo, tenho procurado dar sentido a novos projetos. Enquanto analisava este ano, dei por mim a pensar nas vezes que tive de enfrentar uma experiência nova. Pensei nas vezes que disse nunca mais e voltei a fazer, porém, na segunda vez foi mais fácil. O meu 2019 tem sido cheio de altos e baixos, aventuras e experiências. Não o considero o melhor ano, foi um ano razoável. Tive de sair imensas vezes da zona de conforto, e isso deixou-me um pouco mais aberta a novas experiências. Este ano tive de perder medos, enfrentá-los, mesmo quando só me apetecia fugir deles.

Dou por mim a fazer uma simples pergunta: temos de enfrentar todos os nossos medos, ou podemos também fugir deles sem parecermos fracos? Esta questão passou-me pela cabeça e ainda não sei ao certo o que pensar sobre ela. Portanto, pretendo nesta publicação escrever e ver até onde esta linha de pensamento me irá levar. Partilhar e trocas ideias, para aprender um pouco mais. Enfrentar os medos, para mim, é algo essencial para a nossa vida. Só crescemos se decidirmos sair da nossa zona de conforto e enfrentar aquilo que mais nos atormenta. Comecei o ano por sair da minha zona de conforto, acreditem que pensei várias vezes em dizer que não, desistir. Não iria gostar da experiência, não era de todo a minha praia. Olhei para mim, logo na primeira hora de 2019 e disse a mim mesma “Tu vais, não importa o que aconteça. Tu vais, vais te divertir e sair da tua bolha. Este ano é para arriscar.” Assim foi o meu primeiro passo deste ano para sair da zona de conforto, e sempre que penso em recuar e dizer que não quero sair da minha bolha, penso nesta experiência que parecia desconfortável e acabou por tornar-se numa memória.

Se tenho arriscado mais, é a pensar nas portas que essas experiências diferentes podem abrir para mim ao longo da vida. Por exemplo, arrisquei-me a trabalhar com público, uma pessoa muito tímida e que prefere esconder-se a conviver. Ora, só tem sido uma experiência boa para mim (em alguns aspetos, outros nem tanto), por exemplo, deixei de ter aquele medo de falar com desconhecidos (não era bem medo, mais timidez vá), criar laços de amizade ou conviver tem sido mais fácil, e o mais importante, tenho conhecido pessoas incríveis que mesmo quando passo na rua já me cumprimentam. Se tivesse recusado a proposta, acham que teria crescido tanto? Não, iria continuar na minha bolha, tímida e com medo de conviver. Apesar de a experiência não ter sido boa logo ao início, não desisti. Mandaram-me para cima, vai-te a eles miúda, e lá eu continuei até que consegui tirar proveito da experiência. Por vezes, os frutos do nosso trabalho não vêem logo, gradualmente vamos conseguindo obter prémios que a vida nos dá.

E fugir dos medos, podemos? Sou a favor de enfrentar os nossos medos, é muito importante colocar-nos em situações que nos deixem desconfortáveis para o nosso ser habituar-se a não estar sempre onde gosta de estar. Antes de decidir se continuo ou não com tal experiência, gosto de pesar os prós e contras, é sempre bom tirar um bocado para analisar e ver o que poderemos tirar com a experiência. Faço isto imensas vezes, se vejo que estar a enfrentar um medo não me irá fazer crescer, acabo por o deixar de lado. Serei fraca por isso? Não o acho, pelo menos, neste momento da minha vida há certos medos que não vejo sentido estar a passar por cima deles. Acredito sim, que num momento para à frente terei de perder o medo e enfrentá-los de frente. Até lá, deixo-os em lista de espera, infelizmente, não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo.

Portanto, façam o vosso melhor para enfrentar os vossos medos. Todos nós temos medos, é normal, somos seres humanos, não somos máquinas. Sair da zona de conforto é o primeiro passo para crescermos interiormente, por isso, não tenham medo de arriscar e adotem o método de arriscar sempre que forem dizer que não. Há casos que precisámos pesar as consequências, tirar um pouco para refletir e só depois decidir. Nas experiências imediatas, arrisca-se. Naquelas que serão a longo prazo pesa-se o peso que terá na nossa vida. Temos de ter noção que apesar de tudo, não conseguimos simplesmente lidar com tudo ao mesmo tempo. É bom sair da nossa zona de conforto, traz-nos uma sensação incrível, mas também precisámos de estar no nosso cantinho e no nosso habitat. Não se sintam envergonhados por fugir dos medos ou deixá-los em stand-by. Há medos que merecem mais a nossa atenção que outros e em certo momento da nossa vida teremos de os enfrentar de uma maneira ou de outra, essa é a verdade. Somos pessoas com sentimentos, não somos mais fortes que estarmos sempre a arriscar, nem somos fracos por desistir. Somos pessoas a realizar a nossa jornada da vida, cada um à sua maneira, cada um a ser o seu próprio herói.

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