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Como Tirar O Melhor Partido da Vida?

Durante o último ano tenho andado numa caminhada bem longa a tentar de certo modo entender como poderia viver de forma plena e tirar o melhor partido da vida. A vida é o melhor que poderíamos ter, valorizar a nossa vida e conseguir ser a melhor versão de nós é complicado. No dia a dia é bem notório a quantidade de pessoas que não vivem, elas apenas sobrevivem. O que eu pretendo com esta caminhada é conseguir tirar o melhor partido da vida, mesmo sem estar a fazer algo que me deixe extasiada e cheia de adrenalina. Eu quero tirar o melhor partido da vida, mesmo fazendo pequenos gestos, como trabalhar, arrumar a casa, cozinhar… Essas tarefas que fazemos em piloto automático.

A vida é passageira. Acredito que devemos realmente dar tudo por tudo para viver e não sobreviver. Esquecemos que ter a oportunidade de viver é um milagre. Passámos anos a sobreviver, a seguir segundo as regras da sociedade, a viver através daquilo que os outros pensam, através das redes sociais… E no fim, quando olhámos para trás e percebemos que nós não vivemos, não aproveitamos nada da vida, limitámo-nos a fazer o básico dos básicos. É assim que quero viver? Claro que não. Não quero chegar ao fim da minha vida e ver que me fiquei pelo que os outros queriam, pela zona de conforto, pelo suposto.

A questão é: em pleno século XXI, onde temos disponível mil e uma formas de ser feliz (pelo menos segundo muitos dos livros de auto-ajuda), conseguiremos tirar o melhor partido da vida? Eu acho que não, pelo menos enquanto não nos apercebermos que não estamos de todo a aproveitar a vida. Um exemplo, bem fácil até, é irem até uma esplanada, ou um restaurante. Um lugar onde o propósito seja partilhar uma refeição, seja acompanhado ou não. Vão encontrar muitas pessoas sozinhas com o garfo numa mão e na outra o telemóvel. Também irão encontrar muitas mesas com amigos e família onde cada um está com o telemóvel na mão, a visualizar constantemente as redes sociais à espera das últimas novidades. Por acaso, alguma dessas pessoas está a desfrutar da refeição? Não. E é aqui que eu pretendo chegar com a minha caminhada de tirar o melhor partido da vida.

Estou num trabalho que não me enche as medidas, não até ao topo como eu queria. Porém, não deixo que isso tome conta de mim e tire toda a energia que vibra dentro de mim. Durante as primeiras semanas foi complicado, ficava frustrada e odiava cada dia. Com o tempo aprendi que podia de certa forma mudar a forma como decidia tirar partido do trabalho. Mudei o meu mindset, foi o passo fulcral para o resto se desenrolar. Se antes achava uma tarefa aborrecida, ao mudar a forma como via o trabalho, fez com que senti-se mais prazer ao trabalhar. Decidi que não iria contar as horas até terminar e ir no fim do dia para casa a desejar que não viesse mais um dia de trabalho tão rápido, ou esperar até à próxima folga. Com isto, deixei de usar relógio no trabalho e acreditem que o tempo passou a voar. Cada segundo eu aproveitava, se tinha acontecido algum momento menos positivo, arranjava forma de tornar mais alegre. Interagia, criava relações e laços, arranjava forma de mostrar ao meu cérebro que eu podia sentir-me bem ali. Adivinhem: resultou.

Se agora vou trabalhar sempre com um grande entusiasmo e energia? Não, nem sempre. Há dias bons e outros menos bons. Há dias que chego lá a querer voltar para a casa, mas assim que lá estou o tempo voa e vejo que não foi assim tão mau. A vida é assim, dá-nos algo que vamos detestar, um enorme desafio e espera para ver como vamos reagir e agir. Eu decidi que já que tive esta oportunidade de trabalho que iria aproveitar ao máximo, divertir-me e acima de tudo aprender algo mais. Se este desafio surgiu por algum motivo foi, então agarro o desafio e abraço-o.

Isto tudo para dizer que realmente podemos sentir prazer e tirar o melhor partido da vida fazendo coisas simples e que por vezes não têm grande significado para nós. No outro dia enquanto almoçava sozinha, dei por mim a deixar o telemóvel e lado e saborear a comida. Já é um hábito que tenho, gosto de saborear a comida, pensar nos temperos, como foi cozinhado, etc. Contudo naquele dia, eu parei e experienciei o momento. É nestes momentos de lucidez, como eu costumo os chamar, é que percebo a quantidade de momentos que eu já perdi.

O ano passado eu passei por uma fase de que estava constantemente à procura da felicidade, eu estava tão focada em ter que pensei que se encontrasse a fórmula perfeita da felicidade nunca mais seria infeliz e poderia viver. Só agora, depois de tantos erros, percebi que não existe felicidade algum, isso é tudo conversa de livro de auto-ajuda sem conteúdo. Existe sim alegria de viver, e até muito tempo não soube descrever o que eu sentia, foi preciso ver e ler imensos livros de auto-ajuda com conteúdo relevante, para entender isto. Eu não precisava da felicidade, eu precisava de viver com entusiasmo.

Para tirar o melhor partido da vida não é necessário termos o melhor carro, ou até o telemóvel da última geração. Tirar o melhor partido da vida é saber viver com entusiasmo e prazer, mesmo estando a fazer uma tarefa aborrecida. Tirar o melhor partido da vida, é saber que o mundo pode estar uma confusão, mas conseguirmos encontrar motivos para viver. É uma questão de viver, não de sobreviver. A vida não é apenas esperar que aconteça, é fazer com que aconteça. Tirem o melhor partido da vida, não precisam saltar de um avião ou viajar pelo mundo, façam se o quiserem, mas para mim, tirar o melhor partido da vida pode começar por comer em família e estar presente.

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