Literatura Opiniões Literárias

A Rapariga Sem Nome de Leslie Wolfe

Agosto 16, 2019

Portugal cada vez mais se preocupa em traduzir thrillers, parece que já se aperceberam que a comunidade fã deste género literário cada vez mais aumenta. A verdade é que é um género que acaba por fugir um pouco do que estamos habituados, e consegue ser um pouco imprevisível (às vezes). Não é novidade para ninguém que é o meu género literário preferido, leio thrillers atrás de thrillers. Porém, há uma desvantagem para quem lê imenso do mesmo género: acaba por apanhar a fórmula secreta para escrever um livro do género, depois tudo parece previsível ou nunca é tão bom como os que já lemos. Acaba por ser uma chatice, dou por mim a ler thrillers que na capa dizem ser o thriller do ano, e no fim? Acabo por não gostar nada dele e achar o mais cliché que existe.

Se mesmo assim desisto de ir atrás dos livros cheios de hype? Não, e sem sombra de dúvida que continuo a correr atrás deles como se fosse mel. Qual o motivo ao certo? Gosto de estar a par das novidades e têm sinopses que realmente conseguem enganar. Admito que também vou imenso pelas capas, e as editoras cada vez mais sabem fazer capas para os leitores devorarem. E é assim, quando a história tem a capa mais bonita que o enredo em si, e vais a ver as classificações no GoodReads e percebes que não te enquadras nos leitores que classificarem o livro como maravilhoso.

Mas, há sempre um ou outro caso que fogem à minha desgraça de thriller sem piada alguma. Nem tem um par de dias que terminei de ler um thriller recentemente editado pela editora Alma dos Livros, que já é conhecida por publicar A Rapariga no Gelo de Robert Bryndza. Infelizmente não vos posso dar grande feedback quanto aos livros da série escrita por Bryndza, ainda não os li apesar de gostar de ter essa oportunidade. Se não estou em erro são cerca de seis livros. Há opiniões bem positivas quanto aos livros, adoraria mesmo os ler e tirar as minhas próprias conclusões para um dia partilhar com vocês.

A Rapariga Sem Nome de Leslie Wolfe acabou assim por ser um thriller que me confortou. Os momentos que passei a lê-lo foram muito bons, tenho a dizer que é uma leitura leve de se fazer. A forma como a leitura fluí, tem um bom ritmo e acaba por prender o leitor ao livro. Para os não fãs do género é um ponto a favor, e para os fãs já devem estar meio que habituados. Os policias são assim mesmo, desde que se dê o primeiro crime, a tensão só tem a aumentar assim que as horas continuam a contar e a polícia tenta descobrir a verdade. Não vos sei dizer bem o que mais gostei no livro, acredito que foi mesmo a ideia base da história. Os primeiros capítulos prendem logo o leitor, isso é bom, ficámos logo com aquela sentimento de querer descobrir mais.

Grande destaque para a personagem principal, uma agente do FBI – Tess Winnett – com um enorme trauma. Admito que não é assim tão original, mas sei bem que os thrillers acabam sempre por necessitar de ter aquela personagem com um certo desequilibro emocional. Dá mais vida à personagem e torna-a mais verdade e fácil de criar laços. Eu mantive uma relação complicado com a personagem, ao início gostei dela, porém, a longo prazo comecei a achar as atitudes dela um pouco egoístas. O seu desenvolvimento como personagem ainda vai dar que falar, contudo, acho que o seu papel neste primeiro livro deixou muito a desejar. Nos restantes livros acredito que ela irá arranjar forma de fazer-me mudar de opinião, mas por enquanto fico a achar que ela se deixa muito levar pelos sentimentos, esquece-se de que há mais para além do que ela pensa e acha, que ela é muito orgulhosa e recusa-se a aceitar/pedir ajuda, que ela não é assim tão má quanto parece, e que, ela acha que é a única com problemas no mundo.

Apesar da escrita da autora sem deliciosa, para quem está habituado a ler thrillers não pode deixar de fazer um certo tipo de comparações. É daqueles policiais que lemos bem de uma assentada, isso quer dizer que a escrita não é muito detalhada, tem o básico e fundamental. É bom, isso é mesmo muito bom para cativar os leitores. Mas, não posso deixar de falar que os pensamentos da personagem principal acabavam por ser uma repetição do mesmo, que senti a necessidade de haver muitos mais pontos de vista, ao início temos isso, mas depois trata-se apenas da Tess. Achei momentos muito aborrecidos, estar dentro da cabeça da Tess durante tanto tempo foi o principal motivo pelo qual dei por mim a criar uma certa aversão à personagem.

A forma como os crimes foram se desenrolando foi de certa forma uma desilusão, esperava um pouco mais de sangue. Queria um pouco mais de crimes macabros, de cenas de arrepiar, de suspense. O desfecho foi tão rápido que dei por mim a pensar que arrastaram a história durante a maioria dos capítulos e o final quiseram despachar. Tinha expectativas para um desfecho com muita mais ação, mas foi o que foi. No próximo livro poderá ser melhor, e quem sabe, encha-me todas as medidas.

Não fiquem a achar que o livro não vale a pena, que é apenas mais um thriller nas prateleiras das livrarias. Tirem já da cabeça esse pensamento. É um bom thriller, destaco novamente a escrita da autora e a forma como apesar da personagem irritante conseguiu prender-me ao livro. Seguir os restantes personagens secundários é algo que captou a minha atenção. Foi pena não termos tido a oportunidade de saber mais sobre o criminoso, assim como os motivos e quando ele decidiu que matar era o seu hobby preferido. Porém, como se trata de uma série, sei bem que as personagens acabam por evoluir ao longo dos restantes livros. Gostava sim de acompanhar o resto da história de Tess, a nossa relação não começou da melhor forma, mas estou disposta a dar-lhe mais uma oportunidade.

Um livro perfeito para os fãs de A Rapariga no Gelo, pela sinopse de ambos, noto algumas semelhanças. Agora, qual é o melhor entre os dois eu não sei, mas um dia irei descobrir.

Uma leitura como o apoio da editora Alma dos Livros.

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