Literatura

Reler Livros É Bom Ou Mau?

Recentemente dei por mim a ter uma súbita vontade de reler livros. Olhei para a minha estante e vi que sentia saudades de algumas personagens. Cheguei inclusive a pegar num ou outro livro que já tinha lido, pretendia relê-los. Não o cheguei a fazer porque um sentimento de culpa abateu-se sobre mim. Com imensos livros à espera para serem lidos, quanto bom ou mau pode ser querer reler as histórias que já lemos? A verdade é: cada um faz o que quer, e desde que goste não tem de se sentir culpado. Mas, nós leitores, temos aquele talento especial para ler os livros novos e esquecer os mais antigos na tbr, comprar livros atrás de livros mesmo sabendo que temos milhares em casa para serem lidos e ler imensas vezes o mesmo livro – como é o caso de Harry Potter, já o li e reli mais vezes do que qualquer pessoa espera.

Ao escrever esta publicação estou com um dos meus livros preferidos à frente, uma história que tocou a minha alma e deu-me uma extrema vontade de sair do sofá e experienciar um género de roadtrip. Estou a falar claro do Entre o Agora e o Nunca de J. A. Redmerski, assim como a sequela Entre o Agora e o Sempre que até os dias de hoje – li estes livros em 2016, já quase 3 anos! – é das histórias que guardo com maior carinho. Estou desde o ano passado com este sentimento de que preciso os reler o mais breve possível, acabo por não o fazer pelo motivo que já expliquei: tenho imensos na estante à espera de serem lidos. Por outro lado, há um certo medo que me aflige, a mim e a muitos leitores: o medo de não gostar da história como da primeira vez. Nem imaginam o medo que tenho de não gostar da história e depois destruir tudo aquilo que de bom ele trouxe.

Como enfrentar este medo? Aliás, devemos se quer ter a coragem de quebrar essa barreira? Já reli imensos livros, como, por exemplo, À Procura de Alaska de John Green, que o ano passado o reli em versão audiobook e adorei, foi incrível voltar pela experiência de encontrar as personagens, e voltar a emocionar-me com a história. Também já reli Eleanor & Park da minha querida Rainbow Rowell, novamente voltei a amar a história, classificava desta vez com mais mil estrelas. E, por fim, o livro que mais tenho relido para além de Harry Potter, o tão aclamado livro da Jojo Moyes que inclusive é daqueles que tenho duas edições – a portuguesa que foi na versão que li pela primeira vez, e em inglês onde tenho diversas marcações – estou claro a falar de Viver Depois de Ti. Um livro que me tocou tanto, fez-me chorar rios e que ainda hoje dá vontade em reler.

Se isto de reler livros pode parecer parvo para algumas pessoas, para mim, é uma necessidade. Quando estou numa ressaca literária eu procuro reler livros para trazer de volta o monstro das leituras. Por vezes é um porto seguro porque sei que irei gostar do livro, não irei desiludir-me e terminarei o livro de coração cheio. Por vezes falta-nos isso na nossa vida de leitor, ler para aconchegar o coração. É isso que reler os nosso livros preferidos nos traz. Desde que li Harry Potter pela primeira vez, que todos os anos sinto a necessidade de ler pelo menos o primeiro livro da saga no inverno. Não vos sei explicar, mas sei que muitos fãs passam pelo mesmo, mas é como se precisassem de reviver a história para continuar a viver.

Até agora ainda não reli nenhum livro que me viesse a arrepender de o fazer, apesar de ter noção que há alguns livros que se fosse a reler hoje em dia baixaria imenso a classificação e a opinião sobre eles. Não vou correr esse risco, há opiniões que se devem manter, há memórias que não se devem alterar. Agora, enquanto olho para a minha estante penso “Não teria tempo para reler todos os livros que já li”, assim como nunca terei tempo para ler todos os que quero ler. É assustador, um medo que atormenta qualquer um de nós, contudo, ao mesmo tempo, dá-nos aquela fome de ler mais e mais. Isso é bom, precisámos dessa motivação para ler.

Ler ou reler, o que importa é estarmos sempre com um livro na mão.

Lê também

Sem Comentários

    Deixar uma resposta