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Não Me Apetece Ler

Julho 1, 2019

Ultimamente um certo sentimento de não ter paciência para ler arrebatou-me. Dizer que isto nunca me aconteceu é mentira, já aconteceu, mas não com esta intensidade. Dei por mim a olhar para as minhas estantes cheias de livros e perguntar-me como passei a gostar tanto de ler. Qual o motivo que levou a que eu decidisse encher o meu quarto com livros, livros em todo o lado e sempre a falar sobre livros, e comprar claro. Qual foi o momento que se fez um click e eu decidi que seria uma leitora voraz. O que uma pessoa pensa quando não consegue ler.

A realidade é que nestes últimos dois meses não tenho sentido muita vontade para ler. Tenho lido alguns livros, tenho optado por leituras mais fáceis, inclusive o Scribd tem sido uma ajuda fundamental. Procuro mais livros de desenvolvimento pessoal, ou até os livros da minha querida Penelope Ward. De resto não tenho andado muito pela ficção, sinto que preciso de uma pausa nas leituras para voltar em grande.

Estamos em Junho, este mês li cerca de 8 livros, até estou dentro da minha média, mas gostava de estar a ser um pouco mais produtiva quanto às leituras. A quantidade de leituras que tenho em atraso são imensas, está complicado manter-me organizada e motivada, mas sei perfeitamente que não preciso de ler tudo no espaço de horas, tenho de dar tempo ao tempo. Sei que as leituras vão fluir com o tempo, preciso esperar. Neste momento a minha vida está de pernas para o ar, tenho perfeita noção do quanto isso tem influência as minhas leitura. Preciso paciência e muita calma.

Com isto, volto à minha questão inicial: como me tornei uma leitora? Digo-vos: não sei. Acredito que foi a leitura que me encontrou, decidiu que eu merecia tornar-me uma leitora e pronto. Desde miúda que senti interesse pelos livros, dei por mim a pedir livros à minha mãe sempre que via um. Cresci, o sentimento e curiosidade por estes objetos cheios de folhas manteve-se. Quando entrei o segundo ciclo, acredito que foi aí que finalmente caí-me a ficha, eu podia ler mais do que livros infantis, havia mais para além desse universo.

Ora bem, continuei a pedir livros à minha mãe, ela lá os comprava e eu os li num dia ou dois. Lá ela ficava admirada e, ao mesmo tempo, aborrecida porque sabia que na próxima ida ao hipermercado lá eu iria pedir mais um livro. A minha mãe teve um grande impacto na minha vida como leitora, apesar de ninguém na minha família realmente gostar de ler, sempre me incentivaram a ler. Compravam-me livros quando pedia, nunca colocaram barreiras, quando pedia mais estantes no quarto eles davam. Recordo-me quando um natal andava a passear pela internet e descobri a Wook, há muito tempo mesmo. Desgraça total que eles estavam com descontos enormes, para mim era loucura e a carteira da minha mãe agradeceu.

Comprei uns cinco ou seis livros nessa altura para o natal, isto em pleno mês de outubro, faltando tanto tempo para o natal. Como iria eu aguentar? Mas aguentei. Quando finalmente abri e vi tantos livros, senti-me nas nuvens. Nunca tinha recebido tantos livros (sim, eu sabia quais eram, mas a surpresa foi tanta na mesma) assim que os vi abracei-os. Uma relação estranha, mas foi nessa altura que o meu consumo de literatura aumentou. Dei por mim alguns anos depois a passear pela minha cidade e encontrar a Bertrand, pronto, mais uma desgraça para a carteira. Num outro passeio à livraria encontrei por mero acaso uma feira do livro que nem sabia que existia e agora visito todos os anos. Tenho um blogue que falo sobre livros na maioria, e recebo imensos livros por parte das editoras e autores.

Isto tudo para dizer o que? O meu percurso como leitora não foi merecedor de filme, mas é uma história. Nos momentos que não tenho vontade para ler penso nisto tudo, por aquilo que passei e já consegui por gostar tanto de ler. Admiro-me. Numa família que ninguém gosta de ler, encontrei na leitura uma paixão. Com uma família que sempre incentivou o meu vício e hoje em dia fica admirados por eu ter uma biblioteca privada com mais de 500 livros. Se fossem dizer à miúda de seis anos que dali a treze anos teria estantes bem recheadas de livros, ela não acreditaria. Para ela os livros com ilustrações e algumas atividades eram os únicos livros. Olho para aquela menina e penso que ela vai encontrar muitos amores e desamores, vai rir e chorar, mas acima de tudo, vai ter um ombro amigo nos livros onde se apoiar.

Não me apetece ler neste momento. Tenho outras coisas para fazer. Os livros estão sempre na minha vida. Não durmo sem um livro na mesa de cabeceira. Por vezes pego no livro que estou a ler e passeio ele por casa, ou levo-o mesmo na mala sem ter intenções de o ler. Sou assim. Ando com os livros como se fossem amigos, porque realmente são. Não leio agora todos os dias, não me apetece. Mas quando me apetece chego a ler um livro por dia se for preciso. Não tenho um ritmo, mas a vida é assim, por vezes temos responsabilidades e não podemos simplesmente ficar em casa a ler.

Sou uma leitora, e neste momento não me apetece ler, sem culpas.

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