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Serving The Servant: Remembering Kurt Cobain

Se não sabem que sou fã dos Nirvana passam a saber. A forma como admiro esta banda é de tal forma incrível, que muitos acham que já é mais fanatismo a mais. Não vos sei dizer ao certo como descobri que os Nirvana seriam a minha banda preferida, não sei quando descobri que a voz do Kurt Cobain iria acalmar-me nos dias mais turbulentos. Por magia dei por mim a viver as músicas da banda, a sentir e a vibrar com eles. Infelizmente, não nasci na época dos Nirvana, mas mesmo assim fui apanhada por este fenómeno. Com um póster na parede do Kurt na parede, uma caneca que me acompanha no pequeno almoço, os álbuns que são os companheiros das viagens longas, os documentários sobre ele que vejo e revejo, o seu diário com tudo aquilo que ele sentia. Detalhes que para mim, enchem a minha vida de fã.

Assim que saiu uma nova biografia, em abril deste ano, dei por mim a dizer “Vou comprar, custe o que custar”. E comprei. Não li nenhuma biografia dos Nirvana ou do Kurt, no máximo li os diários dele. Quero ler mais, descobri mais sobre o Cobain através dos olhos daqueles que o rodearam e tiveram a oportunidade de o conhecer. Esta biografia que nos chega através do manager dos Nirvana nos últimos anos da banda. Já conhecia o Danny Goldberg, admito que nunca lhe dei muita atenção até ler esta biografia da sua autoria.

Quando disse nas redes sociais que estava a ler esta nova biografia, alguns fãs avisaram-me que o Danny não era a pessoa ideal para acreditarmos. O facto do manager da banda defender a ideia que foi suicídio, que a Courtney nada teve a ver com o sucedido ao Kurt, revolta muitos fãs. Não me preocupei com isso, não faço teorias sobre o que aconteceu, nunca saberemos a verdade, portanto, não vejo a necessidade de procurar descobrir o impossível. Li sem quaisquer expectativas, apenas queria descobrir sobre uma das pessoas que admiro. Valeu a pena?

É uma biografia cheia de momentos marcantes para o Kurt e os Nirvana. Goldberg relembra que o que realmente faz um artista não é o sucesso que ele tem, mas a forma como comunica com o público, como se preocupa em trazer as músicas para os fãs que eles realmente vão admirar e sentir algo. O Kurt sempre levou a sério a sua música, em diversos documentários vemos o quanto ele volta e meia estava a escrever ou compor. A música ia-lhe na alma.

Temos aqui a descrição de como era o Kurt fora e dentro do palco. A forma como ele agia, como se deu a criação de algumas músicas, vídeos e até alguns espetáculos em especial. Danny conta-nos quase o backstage da banda, dando-nos detalhes. Desde as nomeações a prémios da MTV, a concertos em que o Kurt nos momentos antes de entrar estava a passar mal. Temos aqui uma biografia fria e crua. Notámos que a relação de ambos, tanto de Danny e Kurt, como o resto da banda, é de uma certa união e companheirismo. Todos sabiam o que o Kurt passava, tinham noção da pessoa que ele era, mas todos sabiam que ele era das pessoas mais inteligentes e criativas que podiam ter conhecido.

Temos ainda a descrição do relacionamento da Courtney Love com o Kurt Cobain. Uma relação que não agrada a muitos fãs, a mim passa-me completamente ao lado. Ela não deixa de ter uma certa culpa nisto tudo, acredito que ela foi deveras um ponto a levar ao fim, mas não a culpabilizo de tudo. Frances, a filha deles, foi resultado do que Danny diz ser uma relação cheia de amor em que o carinho e admiração abundava. Verdade ou não, ninguém saberá. A verdade é que houveram diversos problemas relacionados com drogas, de quem é a culpa? Não sabemos.

Admito que o livro realmente tinha potencial para ser uma das melhores biografias do Cobain, o facto do Goldberg ser tão próximo do Kurt e da banda, dava-lhe a oportunidade para dar aos fãs aquilo que sempre quiseram saber. Sei que muitos dos detalhes aqui apresentados, a maioria dos fãs já tinha conhecimento, com uma simples pesquisa na Internet e acesso à Wikipédia, temos todos estes detalhes lá chapados. Houve algumas falhas, através de outros testemunhos sabemos que essas falhas rapidamente podiam ser preenchidas com alguma pesquisa e conversas. Mas, Danny Goldberg preferiu ficar pelas suas memórias. Tudo bem, trata-se do seu ponto de vista e aquilo que quer recordar do Kurt.

Não vos sei dizer se realmente será a melhor biografia do Kurt, não tive ainda oportunidade de explorar outras biografias e comparar. Porém, não deixou de ser uma leitura que me aqueceu o coração. Senti-me mais perto Kurt, apercebi-me que ele realmente sofreu e ninguém soube lidar com a situação da melhor forma. Ele realmente estava destinado a vir à terra marcar os fãs, mostrar-lhes o que sabia e podia, e no fim sofrer e acabar de uma forma terrível. Não acaba por ser uma história incrível, é uma história com dor de uma pessoa depressiva que lidou com o sucesso e a certo ponto da vida perdeu o rumo.

Recomendo realmente a todos os fãs da banda, não deixaram de se surpreender. Contudo, recomendo vos a não acreditarem em tudo o que leem, nem tudo pode ser verdade.

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