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Não és Ninguém Se Não Fores Para a Universidade

Junho 17, 2019

Durante a nossa vida toda somos bombardeados com milhares de questões relativas ao nosso futuro. É impressionante como o ser humano consegue viver de duas coisas: da vida dos outros e da curiosidade. Sabemos bem que estas duas coisas interligadas nunca dá coisa boa. Chegámos a uma idade que tantas perguntas nos sufocam, até porque essas mesmas perguntas estão constantemente na nossa cabeça, já são nossa preocupação diária. Eu, como meio adolescente e meio adulta, fui e sou um alvo fácil para milhares destas perguntas que honestamente deviam ser proibidas.

Quando entrei para o secundário, todos me perguntavam o que queria fazer quando acabasse o secundário. Porra, tinha acabado de começar e já queriam que pensasse no depois. O que queria eu realmente fazer? Sabia lá, uma pessoa não basta ter de lidar com as mudanças de ensino básico e mudar para secundário, ainda tem de escolher uma área que depois lhe possa dar bases para o futuro. Nisto eu fui um zero à esquerda a escolher, porque não tinha nada do que eu procurava e acabei por ir atrás de uma área que me agradava por metade. Enquanto estava no secundário tudo bem, faziam milhares de vezes a pergunta que mais me assombrou e assombra “Vais para a universidade?”. Ora bolas, e agora? Queria continuar a estudar? Não queria? Mais uma vez, não fazia a mínima ideia.

Pareço uma pessoa muito indecisa e sem ideias ou planos. Mas, eu desde muito cedo soube algo sobre mim, sou muito criativa para focar-me apenas numa tarefa. Ou se for para fazer apenas uma coisa, eu preciso ter a oportunidade de ser quanto criativa eu quiser, ter essa liberdade de expressão. Quando estava a fazer os testes para descobrir que área deveria seguir no secundário, a encarregada pelo meu acompanhamento disse-me algo que descobri ser um problema no fim da nossa conversa: “Tu gostas de muitas coisas de áreas distintas”. No momento fiquei orgulhosa, gostar de tanta coisa é bom, não? Depois apercebi-me que ela queria dizer que eu nunca conseguiria encontrar a área certa e desenvolvê-la, seria mais uma pessoa perdida da vida.

Só me apercebi-me assim que terminei o secundário que eu realmente não queria ir para a universidade. Agora vem milhares de pessoas dizer “Uma rapariga tão nova a desperdiçar uma cabeça tão boa para estudar, que desperdício.” Ou, a conversa que mais me dá para rir “Gostas tanto de ler, porque não continuas a estudar?”. Passo a explicar: gosto de ler, livros que me possam proporcionar momentos de prazer e lazer, não um obrigação. Ter de ir para a universidade estudar, não será como ler um livro num par de horas. São coisas diferentes, está bem?

E agora? Passados praticamente dois, quase três anos que acabei o secundário, perguntam vocês: sinto vontade e necessidade em ir para a universidade? Não. Não sinto essa necessidade, porque aquilo que preciso e quero aprender está a uma distância de um toque. O que eu preciso aprender para ajudar-me a ser melhor pessoa, não está num curso superior, pelo contrário, está na sociedade, no dia a dia… Neste momento, procuro aprender pequenas coisas que no final terão grande impacto na minha vida. Por exemplo, quero aprender italiano, é um sonho desde que me lembro. Aos poucos tenho me focado nesse objetivo, com pequenos passos lá chegarei. Outro sonho e objetivo é escrever, tenho andado a estudar imenso sobre escrita, e tenho aprendido imenso.

Há coisas que para aprendermos só realmente estar na situação, presenciar pessoalmente para depois retirar algum ensinamento. Sou uma pessoa que como gosta de tudo e mais alguma coisa, está constantemente à procura de algo para aprender. Utilizo diversas ferramentas que me ajudam a aprender, como o YouTube, que fornece imenso conteúdo de qualidade. A internet realmente está cheia de dicas úteis, aulas online, e muito mais.

Se me sinto menos por não ir para uma universidade? Não. Se muitas vezes fazem transparecer-me essa ideia? Sim. Serei menos que os meus colegas por não ir para a universidade? Não. A verdade é que todos pensam que um curso superior define inteligência, assim como sucesso. Os meus objetivos não são iguais aos objetivos de alguém que pretende distinguir-se na medicina. Cada um segue o caminho de acordo com aquilo que gosta e pretende para o futuro, seguir algo apenas porque a sociedade diz ser o mais correto, não é de todo a melhor forma de viver. Nós, adolescentes, não precisámos de seguir para a universidade só porque nos dizem para o fazer. Parem, sentem-se e pensem. Querem isso? Quando olham para o vosso futuro o que vêm? A profissão ou sonho que querem seguir precisam de curso superior? Não se deixem influenciar, é a vossa vida, e só vocês têm o poder da decisão.

  • Reply
    beatrizsousa1
    Junho 19, 2019 at 19:06

    A universidade é uma escolha e ninguém se devia sentir obrigado ou pressionado a frequentar. 🙁
    Por vezes andar na faculdade nem faz sentido nenhum. Sou finalista e concordo que há coisas que aprendi que foi para encher chouriços, não me vão de servir de nada. Há outras que gostei de aprender e que quero continuar a estudar, mas a cima de tudo devemos privilegiar a experiência. Porque o conhecimento não ocupa lugar, mas quem disse que é preciso andar na faculdade para ter conhecimento? Quando chegamos a um emprego, não sabemos nada, teem de nos ensinar, por isso (às vezes) acaba por não fazer grande diferença
    Suspiros da bea

    • Reply
      Daniela
      Agosto 20, 2019 at 20:21

      Cada um segue o caminho que achar melhor para a sua vida. Neste momento não me vejo a frequentar uma universidade, mas não retiro completamente a ideia de estudar algo mais, há mil formas de tirar um curso sem precisar de ir à universidade e como disseste “aprender coisas que só servem para encher chouriços”. Escolhi não seguir para a faculdade, mas não há mal nenhum. Assim como não há mal em ir para a faculdade. Se todos nós quiséssemos o mesmo não haveria variedade e isso seria aborrecido.

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