Literatura

Detesto Ler, Mas Quero Ler Mais

Começo a dizer que o título desta publicação é meio mentira, pelo menos a primeira parte é. Se são seguidores do blogue sabem o quanto adoro a leitura, como incentivo as pessoas a lerem mais, como sempre vivi rodeada de livros e são a maior fonte de conhecimento e divertimento que poderíamos ter. Contudo, várias pessoas perguntam-me: como lês tanto? Aliado a esta pergunta vem o típico eu cá não gosto de ler. Nestes casos costumo perguntar o motivo pelo qual desta aversão a algo que sempre nos foi incutido (bem ou mal, sempre nos ensinaram a ler). A publicação de hoje vem de encontro a estas conversas, vamos explorar isto de odiar de ler e algumas dicas para os mais corajosos que não são fãs da leitura, mas que querem começar a ler.

O que devo fazer se detesto ler, porém, quero inserir a leitura na minha rotina?

O primeiro passo para resolver este problema é sem sombra de dúvida ter iniciativa. Não se vai a Roma sem vontade, correto? Assim é com a leitura. Quando metes uma ideia na tua cabeça, essa ideia não irá sair de lá até que mudes de ideia e a troques por outra. É assim que funciona, tens na tua mente que odeias a leitura, que ler é uma tarefa aborrecida, porém, se pensares que ler é uma atividade que pode dar-te alguns momentos a sós e sem precisares de pensar muito, apenas relaxar e aproveitar o silêncio. Aí a tarefa não parece tão aborrecida, não achas? Mudem o vosso ponto de vista, é a primeira mudança que irá desencadear diversos aspetos positivos.

Agora, vamos ao que interessa. Dei-vos a ideia chave para isto deixar de ser um problema e sim um desafio. Está na hora de encarar o desafio e começar, sem medos ou receios, a ler. Ah, mas falar é fácil. Realmente é, mas ler é muito mais fácil. Com algumas destas simples dicas, podem aos poucos inserir o hábito de ler, sim porque ler trata-se de um hábito, assim como praticar exercício. Não digo que será fácil, cada um encara o desafio de formas diferentes e nem todos conseguem inserir novos hábitos no dia a dia, assim num abrir e fechar de olhos. Façam conforme tiverem tempo e vontade, mas é importante manter um certo ritmo diário quando queremos desenvolver algum hábito.

Se quiseres saber mais sobre hábitos e como podes melhorar ou inserir na tua vida, recomendo-te a leres esta publicação “Como Criar Novos Hábitos (e Manter)“.

A leitura com o tempo torna-se mais simples

Sem prática não vamos a lado nenhum. Nenhum jogador de futebol profissional soube no primeiro momento que tocou numa bola que teria realmente jeito para jogar, podia sim sentir aquele gosto e isso levou com que tivesse aquela força para treinar mais, e aos poucos se tornou bom. Isso é o mesmo para a leitura. Conforme fores praticando mais, irás notar uma diferença na forma como lês. Deixarás de ver a tarefa como uma obrigação, irás até conseguir ler durante mais tempo e nem vais ter noção disso. Começar aos poucos é que se vai lá. Uma boa ideia é estipular uma meta diária, como, por exemplo, ler cerca de 10 ou 15 páginas todos os dias durante um mês. No segundo mês podes sempre aumentar a meta, e no terceiro mês mais. Ou se preferires mantém sempre a mesma meta. O importante é cumprires esta meta, compromete-te a ler este número de páginas todos os dias. Irás ver que a longo prazo os frutos irão surgir.

Por onde começar a ler?

Perguntam-me isto algumas vezes, principalmente amigos que gostavam de ler mais. O que devo ler para ganhar o entusiasmo pela leitura? Como sei que género literário devo ou não ler? E se não gostar? Com isto de pensar em milhares de perguntas, chegam à conclusão que terão imenso trabalho a encontrar o tal livro perfeito que os levará a apaixonar-se pela leitura. Por experiência própria, não irá acontecer assim por magia. Irão demorar para encontrar aquele livro que vos mudará a vida, mas garanto-vos que quantos mais livros lerem, mais livros irão mudar a vossa vida. Quando recomendo livros para quem não tem o hábito de ler, penso num livro que recomendaria a uma criança. Parece um absurdo, não? Mas a verdade é que um adulto que não lê, olha para um livro de 500 páginas da mesma forma que uma criança.

Sendo assim, que livros devo começar por ler? Começar por livros mais curtos talvez seja uma boa opção, podem até ler livros de crianças, não há mal nenhum. Há vários casos que o livro do Principezinho foi o livro que lhes mudou a vida. Se não quiserem optar por este meio, recomendo a leitura de bandas desenhadas, um género literário simples e que hoje em dia é super acessível a todos. Para além disso, hoje em dia temos disponível audiobooks, apesar de não achar o ideal para quem está a começar, contudo, não deixa de ser uma hipótese. Outros géneros literários que podem gostar: não-ficção, poesia, peças de teatro, contos, antologias, mangás, comics.

Alguns livros que recomendo: 

  • “O Meu Pé de Laranja Lima”, José Mauro de Vasconcelos
  • “Hilda e as Pessoas Escondidas”, Luke Pearson
  • “O Conto da Ilha Desconhecida”, José Saramago
  • “Uma Escuridão Bonita”, Ondjaki
  • “Diz-lhe Que Não”, Helena Magalhães
  • “Ms. Marvel”, G. Willow Wilson
  • “Leite e Mel”, Rupi Kaur
  • “Todos Devemos Ser Feministas”, Chimamanda Ngozi Adichie

Quanto a descobrires o teu género literário preferido. Isso irá muda consoante o teu estado de espírito e maturidade. O meu percurso como leitora já mudou tanto que hoje em dia nem sei como li certos géneros. Por exemplo, comecei a ler livros com mais de 100 páginas quando descobri o mundo do sobrenatural. Depois disso fui para os romances históricos, e aos poucos fui vagueando nos romances, ficção… E hoje fiquei-me mais por romances, young-adult, thrillers, horror… Não me vejo a pegar num romance histórico, não é mais o meu género, mas isso é bom. Aos poucos irás descobrir o que gostas ou não, depois é só uma questão de experimentares e se não gostares: que venha o próximo!

Ler não é uma obrigação, nunca!

Dou por mim várias vezes a sentir-me mal por não ler os livros que ainda estão na minha estante à espera de mim para descobrir as suas magníficas histórias. Não tenho de sentir-me mal por isso, não há nenhum motivo para isso. Já entendi que nunca na vida irei conseguir ler todos os livros que quero, cada vez mais vejo livros que gostava um dia de ler e por mais livros que eu leia nunca irei chegar a um ponto da vida que diga “Já li tudo o que eu queria”. Por isso, Não olhem para todos os livros que não leram e pensem que deveriam lê-los antes de ler outra coisa. Vão por aquilo que sentem, se querem ler este livro neste momento: leiam. Não esperem, porque isso irá diminuir a vontade de ler. Leiam o que vos apetece, não coloquem limites ou obrigações. Ler é uma atividade que vos deve trazer alguns momentos de paz, não é um trabalho.

Mudar o mindset

Referi isto no início, mudar o nosso ponto de vista é fundamental para começar a ler com vontade, mas quero mostrar o motivo que isto é o ponto mais crucial desta lista de dicas. Tenho imensos amigos e familiares que não gostam de ler (pelo menos assim dizem e acreditam, não que os veja a experimentar outro pensamento) e, o principal motivo deste drama é: escola. Até eu durante um certo período no secundário fiquei aborrecida com tudo o que o programa escolar obrigava-me a ler. Eu queria lá ler Eça de Queirós ou Saramago na adolescência. Eu queria era ler livros que não puxassem muito de mim, para andar com o cérebro a mil já tinha as aulas. Passados alguns anos, precisamente dois anos, dou graças aos deuses por ter lido aquelas obras que milhares de jovens odeiam. Principalmente O Memorial do Convento que hoje em dia é dos livros que estudei e mais admirei. Veem, é uma questão de mudar o pensamento.

Não usem a escola como desculpa para odiar a leitura, não é motivo suficiente. Verdade que custa estudar aquelas obras enormes e que não nos dizem nada, pelo menos naquele momento. Ter de estudar as personagens, sentimentos, cenários, épocas em que decorrem… Ninguém gosta, mas saibam que quando estiverem a ler por iniciativa própria no final não precisam de fazer nenhum trabalho para avaliação. Parem agora um só segundo, pensem naquele livro que odeiam e vos fez odiar a leitura: no que ele poderia ter sido melhor? Agora, procurem na internet (viva a esta ferramenta que nos dá tudo de bandeja e ainda nos limpa os cantos da boca) um livro que se enquadre naquilo que gostava de ver num livro. Transformar más memórias, em memórias melhores é um princípio fundamental para viver mais e melhor, e ler mais livros.

Em conclusão, ler não é nada mais nada menos que um hábito. Dou por mim a ficar menos produtiva quando estou diversos dias sem ler uma única página. As vantagens que a leitura traz para a nossa vida não são de desconhecimento da sociedade, ouvimos as vantagens como se fossem os mandamentos, porém, muitas pessoas continuam a deixar passar dicas que podem muito bem ser a chave para melhorarem o seu estilo de vida. A leitura não é nenhum bicho de sete cabeças, é apenas uma atividade que nos traz prazer e conhecimento. Sempre ouvi dizer que não podemos afirmar que não gostamos de alguma coisa sem ao menos experimentar, e vocês, já experimentaram ler mais do que o que encontram nas redes sociais?

Esta publicação foi inspirada no vídeo do Thomas Frank, que admiro imenso. Convido-vos a assistirem ao vídeo aqui.

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