Literatura

Literatura | O Dia Em Que Perdemos a Cabeça – Javier Castillo

Não pensei duas vezes quando vi este thriller, sabia que precisava de comprar e ler este livro o mais rápido possível. Adoro a capa e a sinopse deixou-me curiosa. Tinha tudo para correr bem, não é? Pois, já devia eu saber que ir atrás de livros cheios de hype nunca me leva a lado nenhum. A forma como me senti enganada após ter lido este livro, como eu voltei a dizer para mim mesma: não vás pelas opiniões dos outros… Mas, por outro lado, eu tinha um pressentimento quanto a este livro, um bom pressentimento… Enganei-me.

A história de O Dia Em Que Perdemos a Cabeça tem das premissas mais loucas que já vi num thriller. Ao início dei por mim a ficar espantada e admirada pelo facto do escritor ter conseguido pensar e organizar esta história toda. Um enredo bem doido, com personagens doidas… Mas, quando se trata de thrillers há aquela moda de usar várias personagens para nos fazer chegar a informação, vários narrados diferentes e a mudança entre passado e presente. Já li tantos livros deste género, que sinto que este não me surpreendeu por esse motivo: por estar tão habituada ao género.

Os capítulos são bem curtos e a escrita é tão simples, não estava à espera de encontrar um thriller tão dramático com uma escrita tão simples. Estes dois aspetos facilitam a leitura, conseguimos bem voar pelas páginas do livro, não considero um livro pesado, apesar da premissa dar a entender isso, por isso não sintam medo por ser um calhamaço com mais de 450 páginas. Sentimos curiosidade em descobrir o motivo por detrás de tudo, como todas estas ações tiveram início? A relação entre as personagens que vamos descobrindo pouco a pouco… Tenho a admitir que o escritor soube deixar sempre uma forma do leitor sentir curiosidade e nunca abandonar a leitura.

Apesar de tudo, acho que este thriller terá grande impacto nos leitores que não estão de todos habituados a este género literário. Para mim, acho que não surpreende assim tanto. A premissa é boa, muito boa até, mas o escritor podia ter aproveitado melhor. A escrita achei muito simples e senti uma certa falta de descrição de lugares ou acontecimentos. A ideia de ter vários narrados ao início tornou-se complicado para mim. Uma hora ele falava na primeira pessoa, ora na terceira pessoa… E isto logo no início causou-me certa frustração, não conhecemos direito as personagens, senti que o escritor estava a causar suspense de forma propositada, sem ser através da história por si só, mas pela falta de informação.

É uma história que entretém, não é dos meus preferidos, mas enquanto estamos a ler a história passamos por um bom momento. O final deixou muito a desejar, ainda estou a tentar perceber se isto passou de thriller para romance sem eu ter dado conta. Vá, o final até foi bom, mas eu prefiro quando tudo não acaba bem. Haverá continuação acredito, uma história assim não fica por um livro só. Pretendo ler os restantes livros do autor, quero ver como serão e se de certo modo evoluem.

Se vocês querem ler um thriller, mas não estão familiarizados com o género ou não querem nada assim muito macabro, ou pesado, este livro parece-me bom para vocês. Contudo, se já estão habituados a este género, não leiam com muitas expectativas.

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