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Literatura | O Homem do Giz – C. J. Tudor

Admito que não tinha nenhuma expectativa para este thriller. O Homem do Giz é bom, porém, tenho de admitir que não julgo que mereça assim tanto alarido à sua volta. A verdade é que a premissa só funcionou e a história porque desde o início que a personagem principal não se dá a conhecer por completo, e deixa o leitor logo desconfiado.

Todas as personagens têm algo a esconder, isso é normal neste género de livros. Contudo, a certo ponto torna-se sufocante. Parece que funciona todo à volta daquilo. Ainda bem que temos imenso mistério no livro, porque foi deveras por isso que senti curiosidade para continuar a leitura. Tenho a destacar que o livro não é de todo mau, mas para tantas opiniões positivas que estavam a circular esperava de certo modo algo melhor.

Sendo thriller um dos meus género literário preferido não posso deixar de o comparar com outros que li. Não sinto que este conseguiu chegar perto de ser um bom thriller, contudo, não deixou também de ser uma história boa. Admito que estou ainda um pouco confusa quanto à classificação que pretendo dar, estou entre as três estrelas e as quatro. Penso que me fico pelas 3,5 estrelas, pois, sempre desconfiei do final.

Começa com um grupo de miúdos, (onde já vimos isto?), até ao dia que acontece um crime horrível. Esta premissa não é de todo diferente para quaisquer leitores, portanto, a tendência para o comparar aos outros é enorme. Houve quem o comparasse ao It de Stephen King, e admito que no início pensei no mesmo. De resto não tem nada a ver. O It é muito mais macabro, interessante e misterioso.

Adorei o facto de a história desenrolar-se entre dois tempos distintos. Estamos sempre a viajar do presente (2016) até ao passado (1986). Adorei a maioria das passagens referentes ao passado, foram as minhas preferidas e as que senti mais entusiasmo a ler. Na minha opinião a escritora fez uma boa distinção dos dois tempos sem causar confusão, algo muito complicado de se fazer. Marca a diferença sem entediar o leitor.

Em diversos momentos do livro senti que a escritora quis acrescentar muita informação para fazer o leitor desconfiar de personagens que nada tiveram a ver com o crime. Parece engraçado ao princípio, mas no fim trata-se apenas de um círculo vicioso. Não vi nenhuma necessidade em estar a quase acusar os outros sem motivos, e além do mais, muita desta informação nem acrescentou nada ao livro.

Se recomendo a leitura? Sim, é daqueles thrillers que recomendo a quem pretende começar a ler este género literário. Não é mau o livro, consegue ser uma leitura como agradável. A escrita flui muito bem, e o enredo desenvolve-se a um ritmo bom. É daqueles livros que podemos gostar imenso, mas se formos ler sem quaisquer expectativas.

Sinopse: Prepare-se para se surpreender uma e outra vez, até à última página!

Toda a gente tem segredos.

Toda a gente é culpada de alguma coisa.

E as crianças nem sempre são inocentes.

Um mistério em torno de um jogo de infância que enredou por um caminho perigoso.

Um livro de leitura obrigatória em 2018, esta obra de estreia de suspense psicológico já está a dar muito que falar.

A história começa quando aos doze anos Eddie e os amigos tiveram contacto com o misterioso Homem de Giz. Uma personagem central na trama e Eddie será assombrado por ela.

As estranhas figuras de giz conduzem Eddie e os amigos a um cadáver de uma rapariga pouco mais velha que eles e esta descoberta irá marcá-los para sempre.

Tudo aconteceu há trinta anos, e Eddie convenceu-se de que o passado tinha ficado para trás. Até ao dia em que recebeu uma carta que continha apenas duas coisas: um pedaço de giz e o desenho de uma figura em traços rígidos.

À medida que a história se vai repetindo, Eddie vai percebendo que o jogo nunca terminou.

Uma narrativa tensa e inteligente e um fim arrepiante. Um thriller intenso com uma atmosfera densa e suspense levado ao limite. Suspense que não depende apenas do que acontece, mas que também tem origem nesse lugar obscuro e íntimo no seio da mente humana de onde emergem todos os grandes terrores e mistérios.

As influências de Stephen King e o toque de Irvine Welsh, conferem ao livro não só um tipo de narrativa diferente como um suspense ao limite. Contribui também para que a história tenha um desfecho muito «real» e chocante.

NINGUÉM FICARÁ INDIFERENTE”

Editor: Editoral Planeta | ISBN: 9789896579937 | Páginas: 320 | Classificação: 3,5 em 5 Estrelas

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