Literatura

Literatura | Chama-me Pelo Teu Nome – André Aciman

Acho que não há palavras para descrever o quanto fiquei triste com este livro. Não no sentido mais bonito, não por ser um livro fofo, mas sim por não ter superado mesmo nada as minhas expectativas. As minhas expectativas estavam bem altas, tinha sido um livro muito falado lá fora e inclusive o filme tinha sido nomeado para quatro Óscares. Claro que pensei que iria amar este livro, que no mínimo daria quatro estrelas. Sonhei alto.

Logo nas primeiras páginas senti-me aborrecida. A personagem principal mal nos foi apresentada, conhecíamos a personagem à medida que a história avançava. Vejam que quase no final ainda descobria coisas sobre a personagem. O escritor nem demorou tempo nenhum, entrou logo na ação e vamos lá. Por acaso, achei bem por parte do André Aciman fazer assim a introdução ao livro, se assim não fosse seriam mais umas cinquenta ou oitenta páginas só a falar da personagem. Elio, a personagem principal, um jovem de dezassete anos tinha tudo para ser uma personagem com a qual me fosse identificar. Gosta de música, livros, mar, arte, e muito mais. Parece perfeito? Mas enfadonho. Muitas vezes queria que o livro tivesse sido escrito noutro ponto de vista.

Grande parte do livro é feito em prosa, os diálogos são poucos e quando há são rápidos. É tanta narração que ficámos cansados de ler, eu não larguei o livro porque ainda tinha esperança que ele ficasse melhor. Tenho a admitir que no final até me surpreendeu, contudo não conseguiu salvar o resto do livro. Gostaria de ter mais diálogos, principalmente entre Elio e os pais, sinto que seria uma forma de compreender melhor a personagem.

O enredo parece que decorre à velocidade da luz. Num dia ele conhece Oliver, um rapaz universitário que está a passar férias na mansão dos pais de Elio, e este, rapidamente apaixona-se pelo convidado. A sua paixoneta ultrapassa qualquer limite, a certo ponto parece mais obsessão do que amor. Há tanto drama desnecessário neste livro, que sentia que as personagens nem estavam apaixonadas. Não vi química entre eles, verdade que tiveram muitos momentos fofos, mas existiram tantos momentos dramáticos que os mais românticos ficaram para trás.

Outra coisa que chocou-me, e fora de brincadeiras, tem uma cena que achei demasiado. Na literatura aceito tudo, cada um escreve como quer e entende, mas há coisas que penso seriamente como podem colocar nos livros? Quem é que pensa nisso? Quem se lembra de tal coisa? Não quero fazer spoiler, mas acredito que irão descobrir por vocês mesmos quando lerem. Algo mais que detestei, foi as atitudes rudes por parte de Elio. Não entendo, e custa-me a aceitar, como ele poderia gostar do Oliver e estar com outra pessoa, como podia saltar de um para outro? Resumindo: o livro aborda traição, como se fosse normal. Isto deixou-me revoltada, muito mesmo.

Apesar de o livro ser considerado um romance, não o leiam com esse pensamento. A relação de Elio com Oliver não é um romance incrível, de deixar qualquer um a sonhar com uma relação assim. Trata-se de uma relação baseada em apenas atração sexual, gira tudo à volta disso. Uma obsessão nada saudável. No meu ponto de vista, não tentem tornar esta relação como uma relação de sonho. Não basta atração para ser uma relação, também é fundamental ter amor.

Se o livro é bonito? Sim, tem deveras uma história bonita. Não acho que tenha sido abordada da melhor forma, digo-vos que tem imensas frases que podemos sublinhar e guardar para a vida. Muitas delas são inclusive ditas pelo pai de Elio, uma personagem que admirei imenso do início ao fim. Acho que foi a melhor personagem do livro todo. Se não fosse pelos seus ensinamentos desistiria do livro. 

Quando terminei o livro fiquei com o sentimento que tinha lido uma versão errada do livro, todos gostam deste livro, no GoodReads tem imensas classificações com cinco estrelas. Como não gostei? Acreditei que o problema fosse meu, será que não estava a ler na altura certa? Ou estava a interpretar mal a mensagem do livro? Vi outras opiniões no GoodReads e a verdade é que muitas pessoas sentiam e pensavam com eu. Foi um alívio!

Acima de tudo, recomendo a leitura do livro. Cada um é diferente, eu não gostei mas tu podes vir a gostar. Não é um livro que recomende assim logo que me peçam recomendações, como referi, não o considero um romance, nem sei em que género literário se enquadra melhor. Vou ver o filme logo que possa, já ouvi dizer que é muito melhor que o livro, logo verei se é verdade ou não. Fico curiosa para saber as vossas opiniões tanto quanto ao livro como ao filme.

Sinopse:Na idílica Riviera italiana nasce um romance intenso entre um rapaz de dezassete anos e o convidado dos pais, um estudante universitário que irá passar com eles umas semanas no verão.

A mansão sobre as falésias é povoada por um conjunto de personagens excêntricas, com um gosto especial pela boa vida. Mas nenhum dos jovens está preparado para as consequências da atração, que, durantes essas apaixonadas semanas de calor, mar e vinho, faz crescer entre eles o fascínio e o desejo, sentimentos que não conseguem suprimir, apesar de todas as proibições e dos perigos.

Divididos entre o receio das consequências e o fascínio que não conseguem esconder, avançam e recuam movidos pela curiosidade, o desejo, a obsessão e o medo, até se deixarem levar por uma paixão arrebatadora e descobrirem uma intimidade rara que temem nunca mais encontrar. 

Chama-me Pelo Teu Nome não é só uma história intemporal, é também uma análise franca, bela e dura sobre a paixão – como agimos, pensamos e sentimos. Uma elegia ao amor e um livro inesquecível.”

Editor: Clube do Autor | ISBN: 9789897244360 | Tradutor: Hugo Gonçalves | Páginas: 284  | Classificação: 2,5 em 5 Estrelas

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